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Estudo e texto por Liliane Mattoso.
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Estudiosos
e utilizadores do tarô divergem sobre a origem desta
ferramenta. O taro relacionado com a fase da historia mais
distante de nossos dias atuais é o taro egípcio. Por não se
ter relatos escritos sobre esta sociedade em questão, a
definição da criação desta ferramenta é dotada de mistério e
crença, pois tem base no mito do Deus Thot. A lenda conta
que Thot é uma divindade secundária ligada à fase lunar, que
desce a Terra para passar ensinamentos sobre o mundo oculto
e o mundo manifestado, transmitindo estes conhecimentos pela
via oral. Sua intenção era de passar o conhecimento das
escritas, as divisões de tempo e os mistérios cifrados nas
medidas. Percebendo que estes ensinamentos teriam utilidade
através dos tempos, Thot os colocou em laminas de seu livro
para que seus conhecimentos pudessem ser utilizados em
tempos posteriores, pois logo percebeu que sua total
compreensão não seria captada naquele tempo.
Seus
seguidores o chamam de “três vezes grandes” pois em uma
abordagem mais ampla, a razão de que seus ensinamentos se
relaciona com os três planos de mobilidade do pensamento do
homem, com a capacidade de expressar o quanto a sua natureza
é capaz de perceber e discernir sobre as informações
contidas.
Existe a
crença de que o ciclo de evolução associado ao conceito do
ano divino soa como obra das doutrinas que Thot transmitia
pessoalmente a um grupo de escolhidos, tendo a idéia
principal de construir monumentos resistentes à ação dos
elementos e que pudessem testemunhar as verdades dessas
doutrinas, ou seja, o conhecimento adiantado sobre as
mutações dos tempos e a decadência que profetizou sobre a
civilização do Nilo.
Por ser de
imenso valor os ensinamentos deixados pelo mestre, a
tradição dota da maior importância um livro que Thot deixou
escrito, e que, contém aquela coisa que dá o conhecimento a
todos os demais. De acordo dom as ditas referencias, neste
livro as divindades representam princípios universais; os
princípios universais se expressam por meio de símbolos; os
símbolos se interpretam por meio de números e os números se
traduzem em idéias, que a mente conhece não pelo que é a
idéia em si mesma, senão pelo vínculo que tem com o
princípio universal com que ela se relaciona.
O baralho
de taro mais popular foi o taro de Marselha, utilizado a
partir da idade média, como forma de distração da corte
francesa. Reza a historia que o baralho de cartas utilizado
nos dias modernos como forma de jogos de distração e azar
seja proveniente deste taro, embora se especule que a origem
do mesmo venha do jogo de xadrez. Obviamente existe nesta
utilização uma forma de mascarar o seu real conteúdo, pois
desde os tempos antigos, a leitura de oráculos divinatórios
era tida como algo demoníaco e contra as leis regidas pela
igreja católica da época. Por traz desta verdade, existe uma
outra verdade que mostra que a religião pagã de adoração da
Deusa continuava sendo cultuada por alguns que, através de
artifícios, como esta utilização do oráculo do taro,
mantiveram as tradições ‘escondidas’ dos não-iniciados.
Por mais
que o taro egípcio seja o baralho com valor histórico mais
antigo relacionado, o taro com laminas mais antigo que se
tem conhecimento é o tarô de Marselha que se encontra no
Cabinet de Estampes na Biblioteca Nacional de Paris. Segundo
alguns poetas e escritores, este baralho se destinava à
distração do Rei Carlos VI da França. A teoria diz ter sido
encomendado a Jacques Gringonneur, um astrólogo e cabalista.
Durante muito tempo pensava-se que este baralho continha
dezessete cartas pintadas sobre velino, enfeitadas a ouro e
pintadas a prata, lápis-lazúli e com pigmento vermelho
escuro, denominado como pó de múmia. Atualmente, acredita-se
que são de procedência italiana e manufatura tardia.
Um dos
mais belos jogos de cartas de Tarô pertenceu a Duce Filippo
Maria Viscont, datado de 1392. Pagou mil e quinhentos
florins de ouro a seu secretario, o sábio e pintor Marziano
da Tortona para que produzisse o mesmo. Hoje ainda existem
67 cartas originais deste jogo.
Com o
passar do tempo, os emblemas e a apresentação dos desenhos
das cartas do tarô de Marselha foram sendo alteradas. Desde
que começou a ser utilizado, o baralho foi composto por 22
cartas e 4 series de cores, cada uma delas contendo 14
cartas. Seu surgimento se deu nos finais do século XV e XVI,
alcançando quase que imediatamente um grande destaque,
principalmente os jogos que eram pintados à mão por grandes
artistas, que os dedicavam as famílias ilustres, como os
Viscontini e Sforza.
O Tarô de
Marselha teve uma grande influencia sobre muitos outros
jogos que surgiram nos finais do século XVII ao inicio do
século XIX; uma época especialmente dedicada e apaixonada ao
oculto. Seu manuseio se tornou mais fácil e sólido quando
B.P. Grimaud lhe fez algumas alterações, sem adulterar suas
qualidades intrínsecas. Arredondando os cantos e usando
cores mais vivas como a dominância do azul e do vermelho.
Paul Marteau, grande mestre das cartas na França, traduziu
em 1930, toda a simbologia do tarô de Marselha, fixando as
tonalidades definitivas.
Uma outra
história interessante de tarô é do baralho cigano e sua
demonstração para o mundo. O tarô cigano é um baralho
desenvolvido por um povo nômade, utilizando cartas e
simbologia totalmente diferentes dos demais tarôs. Suas
imagens mostram situações do cotidiano, o caminho normal do
homem, e sua interpretação se dá através da intuição e da
observação das cartas em si. Muito diferente dos jogos
tradicionais, a forma como este baralho é utilizado mostra
que toda a realidade presente faz parte de uma grande
jornada, passando por ciclos repetitivos.
A origem
deste tarô é contada por uma história que mostra a crença
deste povo. Em junho de 1879, o professor de matemática e
estatística Jean Pierre Dunant viajava pela Hungria em busca
de um raríssimo exemplar sobre a vida de Pitágoras, pai da
matemática. Conta que ao entrar em uma livraria em
Budapeste, na rua Vajva, viu sobre o balcão, próximo a
livros de filosofia, um montante de papeis rabiscados. Por
curiosidade, resolveu dar uma ‘olhada’ neste papeis e se
interessou por seu conteúdo. Ao abordar o dono do
estabelecimento sobre o livro de Pitágoras, obteve como
resposta ‘ o senhor acaba de encontrar o que estava
procurando’. Por mais que Jean Pierre insistisse, a resposta
do livreiro era a mesma e, sem ouvir as negativas do
francês, juntou as folhas e entregou-as a ele. Um pouco
atordoado, o professor resolveu pegar os escritos e partiu.
Depois de
muito analisar as folhas, decidiu que viveria em uma
comunidade de ciganos para poder confirmar a veracidade dos
documentos. Ao começar sua jornada em busca deste povo pela
Romênia, acabou sendo feito de prisioneiro dos ciganos que
não acreditaram em seu argumento de escrever um livro sobre
tal cultura. Mais de um ano se passou ate que Jean Pierre
conseguisse conquistar a simpatia da tribo e, sendo
liberado, conviveu mais quatro anos fazendo seus estudos e
aprendendo muito sobre a cultura deste.
Em 1885,
retornando a França, escreveu o livro cujo titulo era O
Único e Verdadeiro Livro do Tarô Cigano. Por falta de
finanças, não conseguiu editar seu manuscrito e morreu aos
39 anos.
Maio de
1958. O pesquisador Juan Garcia Chávez entra em uma livraria
na Hungria a procura de um livro qualquer e encontra em cima
do balcão os manuscritos do livro do professor Jean Pierre.
Querendo comprá-lo pergunta ao livreiro o preço dos mesmos e
descobre que estavam prestes a serem jogados fora. Deixa uma
quantia no balcão e retorna ao seu trabalho. Proprietário de
uma editora de médio porte faz cinco mil exemplares do livro
e teve uma vendagem de sucesso. Refaz nova remessa que
também se mostra um sucesso de vendagem. Antes de completar
a terceira edição, cai doente e é visitado por uma cigana
que conta seu passado. Antes de sua morte, ouve desta mulher
ter ele sido um professor de matemática e estatística
francês, vivido no século XIX.
Este jogo
de taro tão repleto de magia e mistério tem em suas laminas
toda a historia de um povo que, desde a época do Egito, vive
em grandes caravanas, desenvolvendo a leitura da sorte e a
conexão com a natureza e o oculto.
A grande
maioria dos jogos de tarô foi desenvolvida no século
passado, porem todos têm seus mistérios e arquétipos
desenvolvidos através de alguma época de nossa historia.
Buscando nas culturas antigas, muitos leitores destes
oráculos fazem uma leitura das informações do consulente
através de mitos e formas de vivencia dos tempos antigos.
O jogo de
tarô Céltico é desenvolvido através dos arquétipos da
religião druida. Sua cultura e crença é baseado no principio
criador Feminino e, vendo a Deusa como a manifestação da
própria natureza, dá ao seu processo criador, a companhia de
um consorte. O próprio Deus Cornífero, como é chamado, faz o
papel de seu marido e seu filho, acompanhando as mudanças da
estação do ano. Repleto de magia e misticismo, este tarô
traz todas as manifestações da Deusa e do Deus, cada um com
seus aspectos principais, podendo assim, mostrar ao
consulente, através da mitologia Céltica-Druidica, os
aspectos positivos e negativos da pergunta em questão.
Seguindo a
mesma linha de religião, temos o Baralho de Tarô Wiccano.
Baseado na nova religião, a Wicca, este baralho utiliza-se
desta nova leitura da cultura Céltica-Druidica. Sabemos que
esta religião tem algumas dissidências, como a Stregaria,
ligada aos princípios da magia italiana. Mais do que os
arquétipos da Deusa, este baralho usa uma remodelagem dos 22
arcanos principais, porem com uma visão magística,
desenvolvendo a jornada do homem e do mago, através da
ligação, ou religação com a natureza e os princípios
criadores.
O Tarô
Mitológico, ou Tarô Mítico foi criado em 1988 por Juliet
Sharman-Burque e Liz Greene, conhecida astróloga inglesa. As
ilustrações foram feitas por Tricia Newell. Usando os
arquétipos da mitologia grega, este jogo é utilizado como
forma de auto conhecimento e evolução humana. A própria
autora diz existirem duas alternativas para se abordar as
cartas deste tarô, uma histórica, factual e concreta, outra
psicológica, utilizando os arquétipos da mente humana.
A
utilização dos arquétipos gregos, cultura que influencia
diretamente nossa cultura atual, faz com que se acesse
determinados parâmetros da mente e possa entender os lados
positivo e negativo de cada informação.
Existe nos
dias de hoje, um jogo de baralho feito dentro dos parâmetros
e crenças da religião Xamânica. Este tarô Xâmanico possui
toda a jornada do guerreiro indígena em suas 44 cartas.
Desde os mistérios da comunhão com a natureza, passa por
toda a cultura do índio norte-americano, mostrando toda a
sabedoria de um povo que, através do respeito e dedicação,
viveu em perfeita harmonia com a Mãe Natureza. Todas as
cartas mostram o caminho da evolução, a jornada ao
aprendizado e a busca das fontes sobre-naturais do mundo dos
mortos. Lembrando que esta cultura glorifica seus
antepassados, vemos através deste jogo que a grande
sabedoria ancestral é uma prerrogativa para a manutenção da
tribo e da própria ordem.
Em seus
arcanos, vemos o respeito pelos demais seres da natureza e a
percepção de que somos todos parte de um todo. Sempre
prezando a coletividade, o guerreiro desta jornada deve
passar por momentos de decisões em que não poderá voltar a
traz.
Alem de
ser uma cultura muito diferente da atual, vemos a beleza
destas cartas e de seus significados. Este tarô tem em seus
arquétipos mais do que imagens; mostra a busca do homem pelo
invisível, o espiritual. E a realização do guerreiro, só se
dará no momento em que descobrir seu lugar neste mundo,
trazendo com sigo suas raízes e podendo assim, dar
continuidade a sua espécie.
Dentro da
linha de religiões, temos um tarô de grandes modificações
baseado na religião hindu, palco da busca por Deus e seus
vários aspectos humanos e demoníacos. Este baralho tem uma
versão atual popular, desenvolvido por Sri Madana Mohana,
intitulado Tarô Sagrado dos Deuses Hindus. Usando a cultura
pré-budista, este taro utiliza os arquétipos do nirvana, das
reencarnações kármicas, dentro da cultura védica, buscando
elevar os seres humanos a um estado de consciência
espiritual.
Utilizando
os três aspectos de Deus, para os hindus, este jogo passa
por todos os estágios da evolução humana, ate atingir a
comunhão máxima com o todo, Brahma, o criador, onipresente.
Este oráculo é destinado a meditação, cura, terapia,
regressão e revelações da verdadeira busca espiritual do
consulente. É uma jornada a todos os aspectos da mente e
emoções potenciais do ser humano, mostrando e passando desde
o reino da mais pura manifestação, até o pior momento a ser
vivido. Todos os arquétipos utilizados mostram em suas
historias mitológicas, potenciais humanos de diferentes
aspectos. Todo lado possui o seu oposto e, decidir em que
direção se pretende continuar, é exclusividade do ser
realizador desta situação.
Abordando
a cultura afro-brasileira, temos o tarô dos Orixás. Trazendo
em seus arquétipos todos os Deuses do candomblé e umbanda,
este tarô tem forte correlação com o tarô hindu, pois todos
os arquétipos destas religiões têm seu correspondente na
outra. Os deuses do taro dos orixás são relacionados a
aspectos e forças da natureza e mostram que todo potencial
humano tem sua representação no meio em que vivemos.
Alguns
destes arquétipos fazem conexão direta com forças de
manifestação e, sua utilização mostra não somente a resposta
as perguntas sobre o presente ou o futuro, como também qual
é a força que rege determinada situação. Para alguns
babalorixás desta religião, a magia e o panteão do candomblé
é a adaptação do mesmo panteão e forças que vem desde o
Egito antigo.
Mostrando
todo o fundamento da cultura brasileira vinda e adaptada
pelos escravos, este jogo nos mostra a conexão perdida entre
o homem e as forças divinas da natureza.
Em uma
abordagem mais voltada a busca atual de desenvolvimento,
temos o Tarô Zen, de Osho. Este mestre da consciência,
considerado por muitos como o Buda da atualidade, nos deixou
palestras sobre a libertação do homem e de sua consciência.
Baseado na filosofia zen, este jogo mostra as quatro
dimensões possíveis entre o despertar e a evolução,
abordando a mente, as emoções e as possibilidades de ação e
transformação.
Um baralho
totalmente diferente, o tarô Zen tem em si conceitos
milenares, trazendo uma abordagem totalmente desapegada de
religiões e crenças, mais fortemente baseado nesta
filosofia. Mostrando o caminho para a iluminação do ser,
Osho sempre palestrou a necessidade de se abrir mão dos
conceitos pré-estabelecidos pela sociedade e a família.
Dando ênfase à evolução pessoal, este jogo mostra que o
único momento existente é o agora e, para se modificar
qualquer situação, é necessário assumir a culpa e direção
por sua própria vida.
O Tarô
Quântico, nosso mais moderno oráculo, contem todos estes
conhecimentos sobre os diferentes oráculos e filosofias.
Agregando os significados dos arquétipos milenares, ao
conceito de criação da realidade da física quântica, esta
forma de leitura nos traz todas as informações necessárias
para se conhecer os parâmetros utilizados no processo de
vida. A física quântica estuda as probabilidades de aparição
dos elétrons, mostrando que, dependendo do observador, ou
seja, da consciência individual e seus parâmetros pessoais,
poderemos ter uma possibilidade transformada como realidade.
Para que se possam entender as situações da vida e o porquê
de sua realização, devemos observar quais são os
sentimentos, vontades e pensamentos ligados a cada
individuo. Esta nova forma de leitura mostra todos os
elementos fundamentais para esta visão. |